Richard MacManus anunciou a morte da Web 2.0, que, na verdade, nunca existiu. Ao mesmo tempo, falando de Ajax, surgiram o Ajah, o Ahah, o Ajat e uma série de outros “novos métodos”, todos “mais simples”, “mais eficientes” e “mais rápidos” que o Ajax.
Isso é pra confundir qualquer um, não? Calma, vou tentar explicar. Meu conselho é: esqueça o nome, entenda o que se pode fazer. Principalmente, o que pode ser feito para seu usuário.
Comecemos com o caso do Ajax. Ele permite que você carregue apenas parte de sua página usando Javascript, sem precisar fazer o refresh de toda a página. Isso é fantástico, e é isso o que realmente importa, para você e para o seu usuário. O nome que você vai dar a isso realmente importa muito pouco.
Assim, se você quer usar XMLHttpRequest para requisitar trechos de XML que serão interpretados pelo Javascript, ou trechos do seu HTML, ou simples arquivos de texto, faça o que for melhor para o seu projeto. Como você vai chamar isso, realmente, importa muito pouco. Eu, por exemplo, tenho usado muito duas técnicas: requisitar trechos de HTML do servidor (que eles chamam por aí de Ajah ou Ajat) e requisitar Json (o que poderia ser considerado uma forma de Ahah.) Mas, para simplificar, chamo tudo de Ajax.
O nome realmente não importa, o que importa é que, para meus usuários, a aplicação está muito mais rápida. Então, se os nomes parecem complicados, relaxe. Se gostar da idéia, aceite minha sugestão e chame tudo de Ajax. Senão, tudo bem, não faz a menor diferença mesmo.
Numa esfera muito maior, a mesma coisa acontece com a Web 2.0. A diferença é que o Ajax é um conceito e a Web 2.0 é o nome para uma série de conceitos que representam um novo nível de maturidade no desenvolvimento de aplicações web. Diferente de algumas das muitas idéias que vimos explodir junto com a bolha, esses são conceitos maduros, comprovados pelo mercado, testados e aprovados pelo mundo real. Por isso, não importa se você vai chamar isso tudo de Web 2.0 ou não, o que importa é:
. A web é a melhor plataforma de desenvolvimento de software existente hoje: de novo, pense no usuário. Veja, por exemplo, este PDF publicado pelo Estado de São Paulo.
. Distribuir software pela web é o melhor dos mundos: Nada de CDs com atualizações de software. Atualização instantânea para toda a base de usuários. Software sempre atualizado, sem que você tenha o trabalho de esperar por um CD, colocá-lo no drive e seguir as instruções.
. Experimente o desenvolvimento orientado a serviços: é um jeito de se desenvolver. Ao invés de desenvolver componentes ou bibliotecas que serão usados por seus programas, você desenvolve APIs de serviços web. Dá praticamente o mesmo trabalho desenvolver um webservice e uma DLL. A diferença é a vastidão de situações em que o webservice pode ser útil.
. Acessibilidade: Nesse contexto, a acessibilidade ganha um novo aspecto. Primeiro, ela é importante porque permite a qualquer pessoa acessar seu conteúdo e isso vai incluir os excluídos. Os excluídos são aqueles que não vêem como você, não ouvem como você, ou não tem um computador, um sistema operacional e um navegador como os seus. Como essas pessoas são publishers, incluí-las vai aumentar o valor do seu conteúdo. Mas, num segundo aspecto, a acessibilidade é relevante porque vai incluir também as máquinas. Sabe, o bot do Google, o usuário mais importante que visita seu site, é cego e surdo, não entende javascript nem CSS. E, além dele, com a web 2.0 há a possibilidade de uma porção de outros usuários “automáticos” começarem a freqüentar seu site.
. Semântica e Reuso: Você sabe, semântica, h1, h2 e h3 para títulos, ul, ol e li para listas e etc. Pois bem, alguém inventou um jeito interessantíssimo de se reaproveitar código semântico sem muita complicação, os microformatos. Dê uma olhada, é bastante interessante, e tão fácil de implementar que não vale a pena deixar de experimentar. Por exemplo, esta lista de tópicos está implementada em XOXO e isso não me deu absolutamente nenhum trabalho extra. O fato é que desde que começamos a falar em semântica um dos nossos objetivos era construir código reutilizável.
Deixe-me levá-lo agora a dois textos interessantes: o primeiro: Lenda viva, muito viva. No meio do texto, antes de falar sobre RSS, René pergunta: “Mas afinal… do que esse nosso papel é capaz?” Para ajudar a responder, leia esse outro: Mundo de Pontas.
Como você pode notar, as coisas que realmente dão valor à tal Web 2.0 já são valiosas há algum tempo. Já há algum tempo que isso tudo vem dando certo também. Se alguém resolveu dar um nome a isso tudo, e se outra pessoa resolveu dizer que ela morreu, não faz a menor diferença. Esses pontos são verdade há bastante tempo, independente de serem chamados de Web 2.0 ou qualquer outro nome. Assim, se disserem que a Web 2.0 é o que há, ou se disserem que ela morreu, relaxe e concentre-se no que realmente importa para seus clientes e usuários.