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Universo MUNDRUNGO
>> Terça, 13 de Novembro de 2007
O Samurai Mundrungo
por Gabriel Pupo Gabão
“A História de Drungsashi,
o Samurai Mundrungo”


Depois de muitas vidas, Drung voltou novamente ao planeta na pele de um samurai mundrungo chamado Drungsashi. Ele, em suas vidas anteriores, desenvolveu grandes habilidades, e isso fez com que nascesse com muito talento com a espada.

Só que, para variar, como era o mundrungo modelo de mundrunguice, essa sua virtude lhe encobriu os olhos e se tornou um cara vaidoso, se achando o samurai mais sabugo do planeta!

Ficou um guerreiro muito orgulhoso e sanguinário, até meio marvado. Saiu pelas terras da ilha de Nipon ainda jovem e tido como doido, desafiando todos os espadachins conhecidos, e somente os melhores – queria ser invencível!

Acontece que, chegando numa vila de pescadores, ouviu falar de um mestre que diziam ser muito sabugo e a quem ele jamais iria vencer na espada. O samurai mundrungo não hesitou e fez uma longa viagem para conhecer o tal mestre: queria desafiá-lo para um duelo.
Embora fosse muito famoso e temido, Drungsashi, quando chegou ao templo deste mestre sabugo, só de olhar para ele já baixou a bola forte. Um homem de uns 57 anos, postura elegante e ereta, de semblante sereno como jamais havia visto antes em toda a sua vida. Seu olhar, como dois sóis de fogo tal o brilho, fazia quem os encarasse a prontamente amá-lo ou temê-lo. Era um mundrungo magistral, de notável beleza e movimentos perfeitos. Com uma veste simples, mas muito bem feita, recebia pessoas em sua morada, trazendo saúde aos doentes e também valiosos ensinos para os que buscavam a sabuguice.

Drungsashi não se recordava de sua vida como Drung, mas aquele notável sabugo era nada menos que Mundrun, que novamente veio ao planeta trazer os sagrados ensinos da filosofia do mundrungo.

Vendo o encanto daquele momento, a dignidade e grandiosidade daquele ser a quem queria desafiar, o pobre samurai sentiu-se o mais miserável dos marmotas. Viu que não era tudo aquilo que pensava ser, mas não queria, ainda assim, se desapegar de sua ilusória condição de grande e invencível guerreiro.

Chegou, prepotente, diante do Mestre que ali estava, furando fila, empurrando as pessoas que aguardavam sua vez, e então perguntou, em voz bem alta:

Por que estou me sentindo tão marmota e pequeno diante do senhor? Apenas um momento atrás tudo estava bem, vim aqui com o intuito de desafiá-lo, estava forte e corajoso. Mas, quando aqui entrei, subitamente senti-me inferior como jamais me sentira em toda minha vida! Estive em inúmeras batalhas, encarei a morte muitas vezes de perto, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo estranho e assustado agora?

O Mestre então falou:

Espere sua vez de se manifestar, meu pobre e caro mundrungo. Quando todos tiverem partido, responderei as suas indagações.

Durante todo o dia pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai mundrungo ficava cada vez mais aflito, se sentindo cansado e mais marmota de tanto esperar!

Ao anoitecer, quando o salão já estava vazio, o samurai perguntou novamente:

Agora o senhor pode me responder por que estou me sentindo tão marmota diante do senhor?

O Mestre levou-o para fora. Era uma noite de lua cheia e ela estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

Olhe para aquelas duas árvores, o carvalho alto e a árvore pequena e enrugada ao seu lado. Ambas estiveram juntas lado a lado durante séculos, e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: "Por que me sinto inferior diante de você?" Há uma árvore pequena e aquela outra é grande - este é o fato - e nunca ouvi sussurro algum sobre isso.

O Samurai mundrungo então argumentou:

É, mas isto se dá porque elas não podem se comparar; são árvores e não pensam como a gente.

E o Mestre replicou:

E esse é o seu problema, pensar e se comparar com os outros. Você já tem a resposta: não devemos nos comparar com nada!
Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é. Simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa. Você é você mesmo, no seu caso, um samurai, um mundrungo. Por mais marmota que ainda seja e tanto tenha ainda a crescer pela frente, és filho singular e único do Pai de toda a Criação.
O canto de um pássaro é tão importante quanto a maior das estrelas, pois o universo seria menos rico sem ele. Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. Na Grande Consciência Universal, ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Não há mais marmotas que outros, cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e isso basta. Para a Natureza, tamanho não é diferença - tudo é expressão igual da Vida!

Depois de ouvir tal sabuguice do Mestre, o samurai mundrungo largou sua vida de guerreiro marmota e iniciou a busca pelo sagrado grau de ser mais sabugo diante da vida.
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>> Quarta, 31 de Dezembro de 1969
A FILOSOFIA DO MUNDRUNGO
por Gabriel Pupo Gabão
Segue a origem dos mundrungos, um artigo que escrevi pro Jornal da Eca-USP.

“Já há algum tempo, num reino encantado chamado Eca, surgiu um movimento filosófico que visava promover a união entre as pessoas, trazendo paz e sabedoria aos homens. Os adeptos desse movimento eram conhecidos com "os mundrungos".

Os mundrungos são seres especiais, que têm uma luz dentro de si no modo de ver a vida e entender a realidade do Universo buscando sabedoria. O objetivo de todo mundrungo é se tornar um sabugo. Mas...o que é um sabugo?

O Ser Sabugo

O sabugo é o sábio, o mestre; é quando o mundrungo atinge o grau de perfeição e passa a viver em sintonia plena com a Consciência Cósmica, já no plano da “Unidade Universal da Existência”.

É que, durante a sua evolução, os mundrungos desfrutam do livre-arbítrio - a dualidade - e podem escolher qualquer uma das infinitas possibilidades que se apresentam para a sua vida a cada instante, tanto as mais certas e sabugas, quanto as mais erradas e marmotas. Constrói-se, assim, dependendo de sua escolha, a realidade em que o mundrungo viverá, o seu futuro.

Quando o mundrungo atinge o grau de sabugo, passa então a escolher - sempre! - a melhor alternativa dentro do seu livre-arbítrio. Por isso parte para o plano da Unidade, pois, a todo instante, escolhe sempre a melhor opção, vivendo a melhor realidade possível para a sua existência. Significa que o mundrungo transcendeu a dualidade de seu livre-arbítrio e atingiu o grau da Liberdade Máxima possível em sua vida. Alguns exemplos de sabugos: Jesus, Ghandi, Buda, Krishna, Rei Salomão, Caiano, etc.

Os mundrungos são descendentes dos marmotas. Os marmotas são assim... meio marmotas.. e dão sempre mancada!

A característica básica de um mundrungo, portanto, é a oscilação entre momentos marmotas e momentos sabugos, já que tem os dois lados dentro de si. Às vezes, depois de uma grande sabugada, o mundrungo vai e dá uma marmotada - isto é ser um mundrungo!

Pare para pensar na sua vida, naqueles momento em que mandou bem, que disse a coisa certa, no lugar certo e na hora certa, que deu um olé ou fez um grande sucesso. Pense agora naquele dia da grande marmotada, em que pegou aquela baranguinha perto dos seus amigos, que falou uma abobrinha ao professor ou furou a bola na hora do gol - sacou o lance?

Ser mundrungo é isso - é saber aceitar a sua condição de ser em evolução e buscar sempre a sabedoria, por mais marmota que sejamos às vezes. Isso é normal e, aceitando o fato de ser mundrungo, sujeito também à marmotadas, estaremos no caminho de compreender qual é o real significado da vida e entender, então, o universo quântico e belo da nossa consciência rumando a perfeição da sabugagem cósmica (((*)))
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