A Intranet PR é uma ferramenta para requisição de serviços, familiarização de estrutura organizacional, auxílio administrativo, repositório de documentos, informações sobre benefícios, capacitação, qualidade de vida e gestão de conhecimento.
Foi desenvolvida como solução in-house pelo pessoal da DIRTI (Diretoria de Tecnologia da Informação) da Presidência da República. Sem querer ser muito tiete - mas já sendo - é a melhor solução de intranet que tive a oportunidade de ver e conhecer até hoje.
Foi desenvolvida em Plone. Hospedada internamente nas máquinas que estavam de escanteio e tem sua carga balanceada por Squid.
Quem trabalha ou já trabalhou no funcionalismo público sabe a dor de cabeça que é a burocracia e suas três vias assinadas para solicitar serviços simples como café e xerox. Sem contar a quantidade de papel desperdiçado e árvores derrubadas.
Todo o processo de desenvolvimento (do planejamento à homologação) do projeto teve a duração de três meses. Todo o pessoal do Planalto foi envolvido, tendo a oportunidade de sugerir e construir as funcionalidades e arquitetura de informação da ferramenta que já está facilitando suas vidas profissionais e burocrática.
Foi um desafio com o sono de várias madrugadas substituído por trabalho, mas o resultado e a aderência ao uso da ferramenta estão aí e não deixam dúvidas de que a colaboração e o conhecimento compartilhado são coisas reais, palpáveis e que promovem a inovação e o desenvolvimento. Sem contar a melhoria na qualidade de vida e de relacionamento profissional.
O design da ferramenta merece destaque: conseguiram superar as barreiras do Plone e desenvolveram um design maleável e com a aplicação de temas temporários. O primeiro tema da Intranet PR foi Arte Naiff, o segundo (e exemplo dessa home) foi uma homenagem ao Dia das Mulheres. O próximo será sobre Ariano Suassuna (e Movimento Harmorial).
Lindo será ver a integração da Intranet PR com os dados de Transparência Pública do site da Presidência da República. Espero que o próximo ocupante da cadeira não jogue isso fora e continue a desenvolver esse trabalho sem medo de ser transparante.
Segue uma geral em notas esparsas do Oitavo Fórum Internacional de Software Livre, que terminou sábado em Porto Alegre:
[ ] DJ Dolores e Maciel no show Criei, Tive Como! 2007 no Teatro do Sesi:
[ ] Foram 5038 participantes com mais de 200 palestras e caravanas oriundas de vários países e estados brasileiros. A presença feminina cresceu este ano, mas ainda beira a casa dos 10%.
[ ] O encerramento do encontro teve a participação dos DJs Lucio K e JC fazendo base para o rap do Mano Robson (que também sua a camisa no projeto Casa Brasil). A cereja no topo do bolo foi a derrubada do pinguim mestre de cerimônia - aguardando a inclusão do vídeo no YouTube.
[ ] Durante todo o evento pairou um clima leve e agradável, mesmo em questões mais duras e polêmicas como patentes x licenças GPL.
[ ] A questão de governança foi tratada em palestras. Assisti Internet: Evolução e Conceitos do Demi Getschko, na qual o "pai" da Internet brazuca fez um histórico da evolução da internet mundial e brasileira do ponto de vista dos registros, liberação de domínios, servidores e dos conceitos de liberdade e comunidade que orientaram o desenvolvimento da rede. Apontou alguns dos assuntos em pauta na área de governança como a criação de sub-domínios protegidos (b.br.), com DNSSEC e administração específica. Outra questão que está sendo discutida são os ENUM (Estudos de Portabilidade Numérica) para a tradução de números telefônicos em DNS para a telefonia.
[ ] A polêmica entre patentes e GPL foi abordada na palestra de Dan Ravicher (professor adjunto de Direito de Patentes na Benjamin N. Cardozo School of Law): Patents and Free/Open Source Software: Introduction and Analysis. Ravicher abordou os altos custos jurídicos da manutenção das patentes de software e do tempo, energia e recursos gastos em processos. Teve a coragem de mencionar o lobby da indústria farmacêutica que é o setor mais interessado na manutenção das patentes. Mostrou ainda citações de executivos e presidentes de empresas como a Adobe que estão interessadas na discussão de uma alternativa para o software proprietário.
[ ] A palestra do Google lotou mas não empolgou. Não foi nem muito técnica nem muito iniciante.
[ ] O OLPC (One Laptop Per Child) do Negroponte realmente mostrou ser o gadget do momento: todos queriam pegar, fotografar e fuçar no brinquedinho. Era para ser o laptop de U$100,00 mas já está custando U$140,00. O projeto é interessante e importante. As crianças se adaptaram bem ao mini notebook. Mas começo a me perguntar se as oficinas de recuperação de computador não são mais interessantes (principalmente em termos de inclusão social e participação na sociedade) do que o design e sofisticação do gadget do MIT.
[ ] Para terminar em tom leve: muitas pessoas saíram de lá com torcicolo. Explico: era um tal de balançar a cabeça afirmativamente durante as palestras e as conversas que nem os palestrantes estavam agüentando mais.
[ ] E para o próximo FISL ficou a sugestão (e a promessa?) de fazerem uma apresentação do Fabuloso Gerador de Lero-Lero! (desenvolvido pelo Padre Levedo da comunidade Software Livre). Aguardo ansiosamente o próximo!
O físico e professor convidado da UnB, Etienne Delacroix, trouxe ao Fisl8 uma demonstração de suas engenhocas.
Num trabalho artesanal (que remete aos conceitos da Bauhauss), Etienne recupera sucatas eletrônicas em suas oficinas, transformando-as em novos computadores.
Desenvolve também a construção de estações de trabalho itinerantes: uma instalação de arte e tecnologia que pode ser levada em uma maleta em suas oficinas de difusão social.
Etienne chegou ao Fisl na quarta-feira à tarde e acompanhar ele e sua equipe de pesquisadores realizando a montagem de suas traquitanas foi uma experiência fascinante: finas barras de ferro, unindo-se a pranchas de madeira que se unem a parafusos e junções de encanamento e uma mesa de computador está montada, enquanto na parte superior começa a ser montado placa a placa, drive a drive, peças e cabos um computador completo. Logo mais outra instalação outro computador. E uma rede é estabelecida entre os dois frankesteins que também se conecta aos seus notebooks e a um projetor igualmente criado a partir de sucata digital. E não pára por aí. Uma garrafa de iogurte vira surdo, outra de yakult, vira tambor e um disco rígido, prato. E assim cria-se também uma mini-bateria eletrônica, comandada por um programa de computador desenvolvido em software livre. Mixagens na ponta do mouse em três canais dão o tom para uma musicalidade com ritmos sempre interessantes.
Muitos são os conceitos que permeiam o trabalho desse belga que também já foi pesquisador do MIT. O título de sua palestra que aconteceu hoje foi: Difusão Social do Software Livre e Hardware Livre. O conteúdo foi amplo e abstrato. Do excessivo crescimento populacional da modernidade e suas conseqüências para a formação de uma enorme camada de excluídos ao funcionamento de transistores, chips e sistemas integrados passando pela morfologia aplicada a matemática.
O primeiro dia do FISL8 terminou com show do Festival Multimídia de Cultura Livre Criei, Tive Como!
A banda gaúcha Bataclã FC abriu e esquentou o público do Teatro do Sesi que dançou à vontade na frente do palco. Na seqüência, DJ Dolores, que aparece com uma música renovada, flertando com o ska, o reggae e até mesmo o DUB. Ingredientes jamaicanos fazendo base para os ritmos reginais nordestinos sob a rabeca de Maciel.
Vencedores do concurso Overmix, os DJs Lucio K (Rio de Janeiro) e JC (da África do Sul) compartilharam as pick-ups de seus notebooks dando o tom da colaboração.
Para terminar, a banda pernambucana Mombojó realmente empolgou e a galera subiu mesmo no palco (como já havia sido pedido pela banda Bataclã FC) no início do show.
Nos telões, a composição dos vjs pixel (Bahia) e Salsaman(Reino Unido) passeavam pelo universo tecnológico com simuladores de jogos, pokemons recriados e lindas mulheres marionetes dançando em ritmo cibernético.
Os artistas ligados ao projeto Criei, Tive Como! distribuem suas músicas livremente por meio da Internet. É só baixar, copiar e distribuir!!
Software Livre e Economia Solidária por Kerly Tanaka
Dentre algumas palestras interessantes que vi nesses dois dias está a do Paul Singer em cojunto com Edgar Piccino: Economia Solidária, Software Livre e Inclusão Digital na construção de práticas, técnicas e tecnologias para um Mundo Sustentável.
Em linhas gerais, a maneira como o Software Livre é desenvolvido de maneira colaborativa namora com as ideologias da economia solidária, na qual o princípio de colaboração e cooperação substitui a competitividade agressiva do universo corporativo.
Paul Singer já acompanhou o trabalho de cooperativas de trabalhadores na recuperação de empresas que se encontravam falidas. Com a mudança no modelo de gestão que passa a ser não hierárquico, essas empresas ganham em inovação e redução de custos, tornando-se novamente saldáveis e competitivas, mercadologicamente.
Chegada à Porto Alegre para o Fisl8 por Kerly Tanaka
Já na hora do embarque, ali naquele corredor que leva da sala de embarque ao avião, vejo o Luciano Ramalho*.
Já estava me achando a última dos seres humanos, por estar indo sozinha e incerta sobre se encontraria os eventuais conhecidos e amigos. Ali, naquele corredor, reconheci o Luciano. Fiz oi de longe, reconheci e tal, mas ele nem viu. Chamei então pelo nome: Luciano! e fui até ele.
Conversamos do túnel (tem nome, mas já não lembro) até minha poltrona sobre Python. Sua atual paixão. É sua primeira vez como participante. Veio em todos, sempre como palestrante. E está gostando muito da idéia de poder ter a liberdade de participar do evento como expectador, para interagir mais com os outros participantes. Longe do pedestal e da cátedra.
Já na esteira para pegar as bagagens, ele encontra o Klaus (Xtremerprogramer segundo Luciano) e mais o amigo do Klaus, e mais dois gringos e mais um outro moço. Perdão esqueci o nome deles, tirando o Jimmi e o GP. vixi!
Embarcaram, embarcamos(?) numa conversa amena e agradável sobre Zope, Python, Banco de Dados, Programação Orientada a Objetos... Tudo em inglês para que todos pudessem participar.
Sim... Sim... Eu fiquei ouvindo e pensando... Pinky... Pinky... Dois neurônios: You are a such lucky bastard!
Conversaram também sobre Ruby on Rails. E de Python e Ruby on Rails versus Java (uia!). Mas foi um tequinês light, consegui acompanhar um pouco. Em determinado momento comentou-se até sobre Vietnan!
Bem.. Para não parecer muito burra, comentei:
"Well, that is a good start. We are having a philosophical discussion about the future of programming in the arrival sector of the airport".
*Luciano Ramalho é especialista em Zope e, pelo que parece, também em Python, com queda para Ruby On Rails. Ainda quero assuntar mais o que ele pensa sobre Java.
Enfim o blog da Anydesign.net estréia. E em grande estilo. Diretamente do FISL 8 (Oitavo Fórum Internacional de Software Livre).
O AnyLab é um projeto antigo do Norton (fundador e diretor de criação da Anydesign.net). A idéia do blog é tratar sobre temas diversos do universo das produtoras. Comunicação, design, novas tecnologias, ruído, semiótica e muitas, muitas coisas que se passam na cabeça dos AnyManíacos.
Ele (Norton) vem me cobrando o blog desde que entrei. Mas para quem conseguiu ver o vídeo do group94 e conhece o mundo das produtoras sabe que o site do cliente que é pra estrear em 2006, 2007 não pode ser lançado em 2008.
Então, finalmente, aproveitando a oportunidade do FISL8, lançamos nosso querido blog. Esperamos ser assíduos nas postagens. Algumas sérias e outras nem tanto.
O intuito sempre é inspirar.
Por enquanto, não temos comentários públicos, uma vez que estamos desenvolvendo a ferramenta artezanalmente (para termos mais flexibilidade).
Mas, os comentários serão muito bem-vindos, é claro! Escrevam, por enquanto, para kerly@anydesign.net
Welcome a board. Welcome to Happy Harbor* (por enquanto) logo mais, de volta à Sampa.
*Quando disse ao Paulo Martini (Gerente de Produção da Any e Batata para os íntimos) que viria à Porto Alegre, obviamente saiu-se com seu jeito cool-nerd-enciclopédico de ser: Happy Harbor! É isso aí, valeus!